Garganta (orofaringe)

O que são as Amígdalas e Adenoide e quando operar

O que são as amígdalas e adenoide?

As amígdalas são duas estruturas redondas que ficam no fundo da boca (uma de cada lado). Elas em geral são visíveis quando nos olhamos no espelho com a boca bem aberta e a língua para fora ou com a boca aberta e a língua comprimida pelo dedo ou uma colher.

A adenoide é uma estrutura arredondada que fica atrás do nariz e acima do céu da boca, em um espaço chamado de rinofaringe. Ela não pode ser vista a olho nu. Só é possível observá-la por meio de radiografia ou endoscopia nasal.

Tanto as amígdalas como a adenoide são feitas de tecido linfoide, um tecido responsável por ajudar o organismo a produzir anticorpos e células de defesa. Não é a toa que elas ficam próximas à boca e ao nariz, que são portas de entrada importantes de micro-organismos.

As amígdalas e a adenoide costumam aumentar de tamanho até os 5 ou 6 anos de vida, pois é justamente esse o período em que entramos em contato com novos germes. A partir daí ocorre uma diminuição natural do tecido linfoide que as forma, até que próximo à adolescência há apenas uma quantidade residual delas (na maioria das pessoas).

Ainda se opera amígdalas hoje em dia?

Sim, muitas vezes ainda há indicação.  Certamente houve uma redução grande no número de casos em que se indica cirurgia de amígdalas e adenoide nos últimos 20 ou 30 anos. Contudo, quando realmente há indicação, nossa experiência é que a cirurgia é uma verdadeira guinada para melhor na vida da criança. Não raro as mães usam a expressão "nossa, é outra criança" após alguns meses da cirurgia.

Se as amígdalas e adenoide são um órgão de defesa, não é perigoso removê-las? A criança não vai deixar de ter amigdalite para ter faringite ou pneumonia?

Em primeiro lugar, é verdade que não se deve remover amígdalas e adenoide sem um motivo forte para isso. A cirurgia, mesmo sendo uma cirurgia menor como a das amígdalas e adenoide, nunca deve ser a primeira escolha de tratamento e só se deve lançar mão dessa opção quando o tratamento clínico (medicamentoso) não obtém sucesso e quando os malefícios trazidos pela hipertrofia das amígdalas e adenoide realmente justifiquem o procedimento.

Em segundo lugar, vários trabalhos comprovam  que o tecido linfoide das amígdalas e adenoide que estão muito hipertrofiadas ou que inflamam com muita frequência já não estão trabalhando a favor do sistema imune da criança (já não funcionam direito). A retirada das amígdalas e adenoide doentes (veja bem, só das que estão doentes) não prejudica o sistema imune da criança. Pelo contrário, a retirada delas deixa de sobrecarregar o sistema imune com as infecções de repetição e ele passa a funcionar melhor.

E respondendo diretamente à pergunta, não. Não há nenhuma evidência que crianças adenoamigdalectomizadas (que operaram amígdalas e/ou adenoide) tenham mais faringites e pneumonias que o restante da população na mesma faixa etária.

Resumindo, amígdalas e adenoide saudáveis fazem falta e não devem ser removidas. Amígdalas e adenoides realmente doentes prejudicam bem mais que colaboram (se é que colaboram) e podem ser removidas se necessário for.

Se as amígdalas e adenoide vão diminuir com o tempo, para quê operá-las?

Como disse, porque muitas vezes seu tamanho exagerado (hipertrofia) está prejudicando demais a criança, a ponto de não ser possível simplesmente aguardar alguns anos até que estes tecidos reduzam de tamanho por si só.

Uma criança com amigdalite a cada 1 ou 2 meses, por exemplo, faz uso de antibióticos incontáveis vezes por ano, passa muito tempo doente, pode ter dificuldade de ganhar peso. Não há como aguardar 3 ou 4 anos dessa forma. Outra criança que apresente qualidade de sono muito ruim (sono agitado, roncos) por conta da hipertrofia de adenoide, pode vir a ter inclusive sintomas diurnos como sonolência ou hiperatividade. Nesse caso, também fica muito complicado acompanhar a luta da criança todas as noites para respirar por vários anos, principalmente nos casos em que o tratamento clínico se mostrar ineficaz.