Laringe

Disfonia (causas de rouquidão)

Disfonia significa qualquer dificuldade para produzir a voz e que impeça sua produção natural. Pode se manifestar através de uma série de alterações como:

•    dificuldade em manter a voz
•    cansaço ao falar
•    variações na frequência habitual
•    rouquidão
•    falta de volume
•    pouca resistência ao falar


A disfonia é um sintoma presente em vários e diferentes distúrbios, ora se manifestando como sintoma secundário, ora como principal. O paciente disfonico sofre limitações de ordens física, emocional e profissional.

A disfonia pode ser organica (alteração na estrutura da prega vocal), funcional (sem alterações na estruturais) e organofuncionais( alterações no funcionamento que acarretaram em patologias na estrutura).

a) A disfonia organica independe do uso vocal, podendo ser causada por diversos processos, com consequência direta sobre a voz.
Ex: alterações vocais por tumores da laringe, doenças neurológicas, hormonais, inflamações ou infecções agudas relacionadas à laringe.

b) A disfonia funcional é uma alteração vocal decorrente do próprio uso da voz, ou seja, um distúrbio do comportamento vocal.

b1) Disfonia funcional psicogênica:
Patologia associada à quadro de ansiedade. O indivíduo não apresenta doença neurológica ou orgânica. É mais comum em mulheres (95%) e pode ser precipitada após gripes ou laringite. A voz é soprosa e com marcante fadiga vocal, no entanto  tosse, pigarro e riso são emitidos sem dificuldade.

b2) Disfonia funcional associada à muda vocal:
Muda vocal ocorre normalmente entre 13 e 15 anos de idade
Falsete mutacional: alteração mais comum. Houve mudança na estrutura da laringe porém o indivíduo por algum transtorno psicológico mantém voz infantil de propósito. Homens apresentam voz fina  e infantilizada em mulher
Mutação prolongada: (demora mais 6 meses): muda orgânica demora para finalizar.
Mutação retardada: (qdo não aconteceu até 15 anos)
Mutação precoce: ( antes 13 anos)
Mutação excessiva ou sobrepassada: voz fica muito grave, além normal.

b3) Disfonia funcional por uso incorreto da voz:
Pode ocorrer por falta de conhecimento vocal ou modelo vocal deficiênte.

Ex: O indivíduo pode usar a voz inadequadamente, favorecendo-se de um modelo vocal inadequado. O adulto pode eleger e espelhar-se num padrão vocal que considere interessante para ele. Por exemplo, a voz de um artista famoso, de um líder político, de uma cantora, entre outras.

Se o modelo vocal escolhido for próximo aos ajustes naturais do indivíduo, esse comportamento não irá prejudicar a fonação do indivíduo. No caso das crianças, pode-se desenvolver uma disfonia nas primeiras etapas do desenvolvimento comunicativos da criança. Ela pode imitar pessoas que estão próximas dela, como as babás, os pais, os professores infantis, entre outros.

As vozes dos heróis infantis, de desenhos animados e de ídolos famosos também podem ser vozes a serem copiadas pelas crianças.

b4) Disfonias Funcionais Por Inadaptações Vocais:
Ocorrem por Inadaptações Anatômicas (Alterações Estruturais Mínimas) e Inadaptações Funcionais

Nos sujeitos com disfonias funcionais por inadaptações vocais, costuma-se encontrar diminuição na resistência vocal, causando fadiga à fonação.As inadaptações anatômicas, também conhecidas como alterações estruturais mínimas da laringe (AEM), constituem pequenas alterações na sua configuração estrutural, podendo incluir variações anatômicas ou malformações congênitas, que pelo uso intenso da voz ou comportamento abusivo da voz podem causar alterações na voz.

c) Disfonia organofuncional:
É uma lesão estrutural benigna secundária ao comportamento vocal inadequado. Geralmente, é uma disfonia funcional não tratada, ou seja, por diversas circunstâncias a sobrecarga do aparelho fonador acarreta uma lesão histológica benigna das pregas vocais como nódulos, pólipos e edemas.

Pólipo de prega vocal

É uma lesão benigna, hiperplásica e bem definida, geralmente nos dois terços anteriores da corda vocal. Pode ser séssil ou pediculada e de coloração pálida ou avermelhada.  Está  relacionado com tabagismo, poluição e abuso vocal, alergia, doenças tireoidianas e refluxo faringolaríngeo. O paciente apresenta rouquidão permanente que piora com abuso vocal e o tratamento geralmente é cirurgico.

Nódulos vocais

Geralmente são lesões bilaterais, simétricas que ocorrem devido abuso vocal e/ou uso incorreto da voz. É mais comum em profissionais da voz (professores, cantores, funcionários de telemarketing).  O paciente apresenta rouquidão intermitente que piora com abuso vocal. Na maioria dos casos o tratamento é realizado com fonoterapia.

Edema de Reinke

Edema crônico da camada superficial das pregas vocais. O tabagismo é o principal fator etiológico, também pode estar associado com: etilismo, abuso vocal, refluxo faringolaríngeo, hipotireoidismo e envelhecimento. O indivíduo apresenta voz grave e rouca permanente. O tratamento nas fases iniciais pode ser clínico concomitante à eliminação de fatores irritativos como tabagismo e refluxo. Edemas maiores devem ser tratados cirurgicamente.