Cirurgias Otológicas (Ouvidos)

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Estapedotomia (cirurgia para pacientes com otosclerose)

O otoesclerose é uma doença degenerativa, de caráter aparentemente hereditário, que atinge a cápsula ótica como um todo, principalmente junto a platina do estribo, gerando focos de neoformação óssea e aumento significativo da vascularização nos focos de doença.
             
Relativamente freqüente, acomete cerca de 1% da população, com predominância discreta para o sexo feminino, sendo de caráter bilateral em mais de três quartos dos casos. A doença ocorre em adultos jovens, tendo evolução paulatinamente progressiva, levando a perda auditiva mista, moderada a severa, com predominância do componente condutivo, na maioria dos casos.
               
Sendo uma entidade nosológica causadora de limitação social significativa, seu tratamento cirúrgico iniciou-se no final do século XVIII com tentativas de mobilização da platina com resultados inconsistentes. Na década de 50 do século passado, John Shea introduziu a técnica da estapedectomia e no início dos anos 60 descreveu a estapedotomia, que é a cirurgia preferida para tratamento da otosclerose nos dias atuais.
               
As indicações cirúrgicas da otosclerose são a presença de surdez condutiva desabilitante, secundária à fixação otosclerótica da platina do estribo. O gap aéreo-ósseo deve ser de pelo menos 15dB com uma discriminação da fala maior que 60%. A timpanometria deve ser normal (Tipo 1) com reflexos  estapedianos ausentes.
               
A estapedotomia é uma operação tecnicamente desafiadora. A necessidade de domínio de habilidade cirúrgica apurada requer treinamento intenso. Para cirurgiões experientes, as taxas de sucesso informadas estão tradicionalmente entre 90% e 95%. Entretanto, elas podem variar amplamente. Outros autores informaram taxas de sucesso próximas 80%.
Recentemente, a partir das diretrizes propostas pelo Comitê Audição e Equilíbrio da Associação Americana, a taxa de sucesso foi considerada em aproximadamente 70% para estapedotomias primárias. As complicações tipicamente associadas com a cirurgia são decorrentes do trauma coclear e/ou labiríntico. Estas complicações são manifestadas em perdas auditivas de tipo sensorial, com redução dos limiares tonais e discriminação da fala, que pode ocorrer em até 15% dos pacientes ou relatos de vertigem, ocorrendo em até 5% dos casos.
                 
As vantagens da estapedotomia sobre a estapedectomia está na sua capacidade potencial de produzir menor perda de audição e vertigem pós-operatória.

Estapedotomia

Consiste na remoção parcial da porção posterior da platina do estribo, após ressecção das crura anterior e posterior junto à platina e desarticulação da junção incudoestapediana e seção do músculo do estribo.

Uma vez removida a supraestrutura do estribo e aberta a janela veia, gordura ou pericôndrio é colocado sobre a janela e a prótese é inserida.