Cirurgia da Orofaringe (garganta)

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Adenoamigdalectomia

É a retirada em um mesmo ato cirúrgico das amigdalas e da adenoide.
A amigdalectomia é ainda uma das cirurgias mais efetuadas, sendo que nos anos 40 e 50 houve um grande incremento de casos, alcançando, somente nos Estados Unidos da América um total de 1.5 milhão de procedimentos no ano de 1959. Atualmente, os números são mais modestos não atingindo 300.000 casos nos EUA, no ano de 2005.
A American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery apresenta em seu Clinical Indicators Compendium de 1995 as seguintes

Indicações para a amigdalectomia:

a)    Paciente com 3 ou mais infecções de amígdala e/ou adenoide por ano apesar de devidamente tratado.

b)    Hipertrofia amigdaliana causando alterações oclusais ou afetando adversamente o crescimento orofacial, documentado por ortodontista.

c)    Hipertrofia causando obstrução das vias aéreas superiores, disfagia severa, desordens do sono ou complicações cardiovasculares.

d)    Abcesso periamigdaliano sem resposta ao tratamento médico e drenagem.

e)    Gosto ou hálito ruim devido à amigdalite crônica, não responsivo ao tratamento médico.

f)    Suspeita de neoplasia em hipertrofia unilateral de amígdalas.

g)    Otite supurativa recorrente ou media com efusão.

Técnica de ressecção subcapsular das amígdalas
A remoção das amígdalas é realizada com anestesia geral. Após a incisão importando a mucosa do pilar anterior, a dissecção romba da cápsula da amígdala é feita em relação ao plano profundo muscular. Após dissecção de todo o polo superior e porção mediana da glândula, o polo inferior pode ser ligado ou ser usada uma alça fria para sua seção e hemostasia Uma vez retirada a amígdala a hemostasia pode ser feita por sutura com ponto absorvível ou com bisturi bipolar. O paciente pode receber alta no mesmo dia da cirurgia desde que esteja dentro dos critérios abaixo relacionados.

Adenoidectomia
A adenoide ou tonsila faríngea, também conhecida como “carne esponjosa”, localiza-se atrás do nariz, na parte superior da faringe, ou seja, na rinofaringe. É constituída por um tecido de defesa (tecido linfoide) e, por isso faz parte do sistema imunológico. Presente em todas as crianças desde o nascimento, ao longo da primeira fase da vida desenvolve-se muito para depois regredir, desaparecendo por volta dos 12 anos.
Em algumas crianças, no entanto, a adenoide aumenta excessivamente de volume, na maioria das vezes, por um estímulo imunológico (causando a hipertrofia de adenoide). Esse crescimento exagerado geralmente obstrui a passagem do ar pelas regiões posteriores das cavidades nasais, fazendo com que a criança passe a respirar pela boca.
Isso, por sua vez, provoca prejuízos no desenvolvimento da face e da arcada dentária, ocasionando deformidades nesses locais e problemas na ingestão dos alimentos. Além disso, essa obstrução causa transtornos importantes durante o sono como ronco e períodos maiores de interrupção da respiração, que fazem com que a criança apresente irritabilidade, desatenção, alterações no comportamento e, menos frequentemente, sonolência durante o dia.
  Outro aspecto relevante é o transtorno que a hipertrofia da adenoide cria na comunicação natural entre o ouvido e a faringe: a interrupção dessa ligação ocasiona inflamações repetitivas no ouvido, ou seja, as otites médias agudas.
Por também serem constituídas por tecido linfóide, as amídalas geralmente acompanham as alterações que ocorrem nas adenoides, o que agrava ainda mais os problemas respiratórios e os relacionados ao fluxo dos alimentos. Vale lembrar que este distúrbio é muito raro no adulto e, caso ocorra, merece uma atenção e investigação adequadas.
O diagnóstico do problema é feito por uma avaliação médica especializada que pode orientar a realização de uma radiografia, possibilitando a avaliação da coluna aérea nessa região da face (Rx-Cavum). Outro recurso de grande valor é a nasofibroscopia, um exame no qual um fino aparelho de fibra ótica é introduzido no nariz do paciente, após anestesia local, possibilitando a visualização e avaliação das estruturas da região, inclusive a adenoide.
A melhora nas crianças é muito grande e rápida. A qualidade de vida aumenta muito, pois a criança se alimenta melhor, dorme melhor, deixa de roncar e passa a respirar pelo nariz, acabando com risco das complicações de um respirador bucal, se a hipertrofia da adenoide for a causa. É também importante ressaltar que a retirada da adenoide não prejudica o seu sistema de defesa, já que temos vários outros sítios de defesa espalhados no organismo.


Indicações – A partir da avaliação médica, a indicação é individualizada e depende da persistência de sintomas como a respiração bucal, ronco noturno, apneia obstrutiva do sono, otites de repetição, distúrbios no fluxo dos alimentos, entre outros, quando relacionados ao aumento do volume da adenoide.
Contraindicações – Algumas contraindicações estão relacionadas à anestesia geral, ou seja, caso o paciente possua alguma doença grave, em que os riscos para uma anestesia são grandes. O procedimento também tende a ser evitado em crianças muito pequenas, na vigência de infecção das vias aéreas, doenças respiratórias não controladas, com certos problemas locais, como, por exemplo, distúrbios no palato mole e com fenda palatina. Vale lembrar as limitações inerentes dos pacientes com doenças neuromusculares e distúrbios da coagulação sanguínea.  
Técnicas – A principal técnica para a retirada da adenoide é a adenoidectomia por meio de curetagem, que é realizada com a introdução de um instrumento por meio da boca, que chega até a nasofaringe. O controle do sangramento (hemostasia) é realizado por compressão com gaze, não sendo necessário dar pontos.
Recentemente, foi introduzido o uso do microdebridador para essa cirurgia. Microdebridadores são instrumentos que possuem uma ponteira que consiste em um tubo metálico, com uma lâmina giratória em seu interior, conectado a um aspirador.
Dessa forma, o instrumento vai fragmentando o tecido em pequenos pedaços, aspirando-os juntamente com o sangramento que ocorre durante o procedimento, o que contribui para que o sangue não seja aspirado pelo pulmão. Essa técnica é realizada com o auxílio de uma fibra óptica para a visualização das estruturas, e permite um maior controle na remoção e hemostasia. No longo prazo, no entanto, os resultados são semelhantes aos da técnica tradicional.
Tempo de duração da adenoamigdalectomia – aproximadamente 1 hora.
Critérios de alta hospitalar:
•    sinais vitais estáveis
•    ausência de dor severa
•    ausência de náuseas e vômitos
•    sangramento mínimo ou ausente
•    capacidade de deambulação
•    tolerância de dieta líquida
•    residir na mesma cidade da cirurgia